O anúncio do governo dos Estados Unidos de novas tarifas sobre produtos brasileiros coloca o Brasil na posição de maior aumento entre os 30 países que mais exportam para os EUA desde o retorno de Donald Trump à Presidência. Dados compilados pelo Global Trade Alert (GTA) indicam que a tarifa efetiva média sobre itens brasileiros saltará para 14,42% ao final deste mês — ante 1,19% em janeiro de 2025 e 11,66% no momento atual —, um aumento superior a 13 pontos percentuais.
O número divulgado pelo GTA, iniciativa vinculada ao St. Gallen Endowment, diferencia alíquota efetiva de alíquota nominal: embora a Casa Branca tenha anunciado uma sobretaxa nominal de 25%, exceções e reduções aplicadas a mais de 2 mil produtos resultam numa tarifa média efetiva menor, mas ainda substancial. A elevação coloca o Brasil acima de 11 países no ranking de tarifação e abaixo apenas de nações como a China, cuja tarifa efetiva estimada chegará a 21,5%.
A medida é desdobramento de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), iniciada em julho do ano passado, que imputou ao Brasil práticas comerciais consideradas desleais. Em documento de proposta, o USTR havia sugerido alíquotas de 25%; a decisão final ficou levemente mais branda, segundo o material técnico usado pelo GTA, mas mantém efeitos práticos relevantes para exportadores brasileiros.
Além do impacto direto sobre setores exportadores, o aumento de tarifas eleva o custo político e econômico das relações comerciais com os EUA. Trata-se de um choque que pode pressionar negociações diplomáticas, reacomodar cadeias de fornecimento e onerar empresas que dependem do mercado americano. Do ponto de vista doméstico, a medida expõe risco imediato a faturamento e empregos ligados ao comércio exterior e impõe ao governo a necessidade de respostas estratégicas e negociais.