Em Brasília, na quinta-feira (6/8), o ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira recebeu o secretário de Relações Exteriores do México, Roberto Velasco Álvarez, para a VI Reunião da Comissão Binacional. O encontro tem como objetivo revisar a agenda bilateral e consolidar instrumentos de cooperação entre as duas maiores economias da América Latina.

A pauta combina temas de segurança e economia: além de medidas para reforçar a coordenação contra o crime organizado transnacional, os chanceleres trataram da ampliação do comércio e dos investimentos, com atenção especial ao setor de energia, incluindo petróleo e biocombustíveis. A cooperação em educação e cultura também consta da agenda.

Os números recentes ajudam a explicar o tom pragmático do encontro: em 2025 a corrente de comércio bilateral chegou a US$ 13,9 bilhões; o México mantém um estoque de investimentos superior a US$ 15 bilhões no Brasil, enquanto empresas brasileiras anunciaram aportes acima de US$ 3,5 bilhões no México. Esses fluxos reforçam a interdependência econômica, mas elevam a necessidade de regras claras e reciprocidade.

Do ponto de vista político, a reunião sinaliza avanço nas relações comerciais e de segurança, mas deixa em aberto a tradução desses compromissos em ações concretas. O combate ao crime transnacional exige coordenação operacional, compartilhamento de inteligência e medidas judiciais que vão além de declarações protocolares.

A VI Comissão Binacional reforça a interlocução estratégica em um momento de aproximação econômica, mas também impõe desafios: transformar discursos em programas executáveis, garantir benefícios industriais domésticos e monitorar efeitos sobre competitividade. O encontro em Brasília funciona como teste para a capacidade dos dois governos levarem acordos à prática.