Com o prazo de 15 de julho se aproximando, a nova cúpula do Desenvolvimento intensificou as conversas com os Estados Unidos na tentativa de evitar uma taxação adicional sobre produtos brasileiros. O ministro Márcio Elias disse que o governo seguirá na negociação e que a orientação do presidente é permanecer à mesa — postura que busca preservar canais diplomáticos e comerciais diante do risco concreto de tarifas.
A reunião virtual desta quinta-feira reuniu representantes do Ministério das Relações Exteriores, da assessoria presidencial e da USTR. Segundo o governo, foi a quarta rodada de alto nível — além de oito encontros técnicos — e tratou temas que vão além do comércio: cooperação policial, combate ao crime transnacional, atração de data centers e proteção de patentes. A recomendação da USTR para taxar o Brasil deriva de investigação sob a Seção 301, que cita práticas como o Pix entre os elementos de preocupação dos EUA; Brasília rejeita a acusação.
Para além dos argumentos técnicos, o ministro alertou para a politização do debate: ações e manifestações de filhos do ex-presidente, no Brasil e nos EUA, têm acrescentado um componente eleitoral e ideológico à negociação comercial. Na avaliação do governo, essa 'poluição' dificulta transformações estritamente econômicas em resultados práticos, ao inserir ruído público que pode reduzir margem de manobra diplomática.
No front ambiental, o ministro do Meio Ambiente rebateu que o desmatamento está controlado e destacou mecanismos de rastreabilidade e fiscalização do Ibama. Ainda assim, o governo terá de traduzir essas defesas em evidências concretas e velocidade negociadora: a janela até meados de julho impõe pressão política e econômica. Se não houver acordo, empresas exportadoras e a agenda de comércio exterior podem sofrer impacto direto, criando custo político interno e exigindo resposta coordenada da diplomacia e da equipe econômica.