Brasília, DF – O Brasil pediu ontem (4/11) à Organização dos Estados Americanos (OEA) que amplie a cooperação internacional para enfrentar interferências informacionais estrangeiras, especialmente quando há risco à soberania e à integridade dos processos democráticos. O pedido foi feito pela secretária nacional de Justiça do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Maria Rosa Loula, em participação por vídeo no Conselho Permanente da OEA.
Loula alertou que a interferência informacional envolve práticas coordenadas e manipulações promovidas por atores estrangeiros, direta ou indiretamente, capazes de distorcer o ambiente informacional e os processos políticos. Ela cobrou respostas integradas das Américas para neutralizar esse fenômeno.
“A interferência informacional estrangeira vai muito além da circulação de notícias falsas. É uma interferência e uma manipulação que abrangem práticas coordenadas e intencionais de atores estrangeiros, diretamente ou por intermediários, que distorcem e manipulam o ambiente informacional e os processos políticos”
A secretária citou suspeitas sobre o papel de plataformas como Meta e X, que teriam favorecido a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Citando denúncias de "assimetrias dolosas e manipulações algorítmicas", Loula lembrou que o Supremo Tribunal Federal determinou, em 27 de outubro, a instauração de inquérito para apurar possíveis interferências estrangeiras nas eleições presidenciais.
Loula também mencionou que o Conselho Europeu já discute medidas jurídicas e sugeriu à OEA ações práticas, como fluxos de alerta, rastreamento transnacional, preservação de provas e criação de pontos focais para auxiliar países-membros. A Organização, que atuou como observadora e reconheceu o resultado do pleito, havia alertado para o clima de tensão e narrativas que tentam deslegitimar as urnas.