O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contabiliza 1.963.551 eleitores com algum tipo de deficiência aptos a votar nas Eleições 2026 — um aumento de 42,5% em comparação com os 1.377.787 registrados em 2022. Entre as condições declaradas estão dificuldades de locomoção (cerca de 617 mil pessoas), deficiência visual (319 mil) e auditiva (mais de 182 mil). O dado consolida o maior contingente da história recente e redesenha o perfil do eleitorado.
Para acompanhar a demanda, a Justiça Eleitoral elevou de 156.296 para 223.587 o número de seções eleitorais principais com acessibilidade, alta de 43%. Ainda assim, mais de 64 mil pessoas com deficiência informaram ter dificuldade para exercer o voto — um indicador de que a ampliação estrutural não se traduz automaticamente em acesso efetivo. Outros 45,46% dos eleitores com deficiência aparecem classificados na categoria “outros”, sinalizando fragilidades na padronização e na coleta de informações essenciais para políticas públicas e logística eleitoral.
Do ponto de vista administrativo e político, os números acendem um sinal de alerta: a expansão das seções acessíveis é necessária, mas insuficiente sem ajustes operacionais (transporte, comunicação, treinamento de mesários, sinalização e tempo de atendimento). Há também impacto direto sobre estratégias partidárias e de campanha, que precisarão considerar acessibilidade não apenas como custo logístico, mas como condição para alcançar parcelas significativas do eleitorado.
A Justiça Eleitoral orienta que eleitores que necessitam de seção adaptada atualizem o cadastro e solicitem transferência — procedimento possível pelos canais oficiais ou no cartório eleitoral — até 20 de agosto. O prazo será um teste prático da capacidade da máquina pública de converter números e metas em inclusão real; a insuficiência de medidas pode resultar em perda de voto e desgaste institucional para gestores locais e nacionais.