O governo brasileiro decidiu rebaixar o nível das relações diplomáticas com a Argentina e não reintegrará o embaixador Júlio Glinternick Bitelli a Buenos Aires, informou o Itamaraty ao Correio. A embaixada continuará funcionando, mas a chefia ficará a cargo de um encarregado de negócios — cargo inferior ao de embaixador —, o que reduz substancialmente o canal oficial de interlocução entre os dois países.
A medida ocorre após o retorno de Bitelli ao Brasil, depois de ter sido chamado para consultas no fim de julho. A convocação foi motivada por uma sequência de ataques públicos do presidente argentino, Javier Milei, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em eventos e entrevistas que repetiram termos ofensivos contra o chefe do Executivo brasileiro. O rebaixamento é, portanto, resposta diplomática a essa escalada verbal.
Além do simbolismo, a decisão tem efeitos práticos: torna mais difícil o trato direto em temas sensíveis como comércio, cooperação regional e agendas multilaterais, e passa a mensagem de que o governo brasileiro não aceitará normalização imediata enquanto persistirem as agressões. Do ponto de vista político, a medida acende alerta e amplia desgaste na relação bilateral, forçando Buenos Aires a decidir se mantém seu representante em Brasília.
O Itamaraty entregou uma nota de protesto ao embaixador argentino Daniel Raimondi, que agora vê seu futuro condicionado a uma resposta de seu governo. A ação preserva canais mínimos de contato, mas eleva o custo político da tensão e exige que ambos os lados considerem os riscos de permitir que ofensas pessoais determinem a agenda diplomática.