Pesquisa do instituto Meio/Ideia, divulgada nesta quarta-feira (6), mostra um país dividido sobre o perfil ideal para a próxima indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Para 39,4% dos entrevistados a vaga deveria ser ocupada por um nome técnico e sem ligação com o governo; 37% defendem uma escolha com perfil político e vínculo com o Executivo.

O levantamento ouviu 1.500 eleitores entre 1º e 5 de maio, tem margem de erro de 2,5 pontos percentuais e está registrado no TSE sob o código BR-05356/2026. Os números chegam após a tentativa frustrada de indicação do advogado-geral da União Jorge Messias, cujo nome foi rejeitado pelo plenário do Senado em 29 de abril — a primeira derrota desse tipo para um indicado ao Supremo desde 1894.

Outras alternativas têm participação menor: 13,2% acreditam que a vaga deva ser negociada com o Senado, 5% citam a preferência por uma mulher e 5,4% não souberam ou não responderam. A proximidade entre as duas posições majoritárias — técnica versus política — evidencia a fragilidade de um consenso público sobre critérios de escolha.

Do ponto de vista político, o resultado acende alerta para o Planalto. A divisão expõe dilemas práticos: optar por um nome técnico pode reduzir a tensão institucional, mas não elimina o risco de embates com senadores; escolher um indicado com vínculo político preserva alinhamento com a base, mas amplia críticas sobre suposta politização da Corte. Em ambos os cenários, há custo político e necessidade de transação institucional.

A pesquisa é um retrato do momento, não uma previsão, mas reforça que a próxima indicação será politicamente sensível e poderá influenciar o ambiente para 2026. Para o governo, os dados apontam à necessidade de calibrar estratégia — buscar maior convergência com o Senado ou assumir um confronto cujo preço ainda é incerto.