O Banco de Brasília comunicou à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado que pretende ajuizar ações de responsabilidade civil contra ex-administradores apontados nas investigações sobre operações com o Banco Master. O anúncio foi feito pelo presidente do BRB durante audiência na terça-feira (9/6), quando detalhou que o banco abriu procedimentos de apuração para todos os dirigentes, empregados e demais pessoas mencionadas no relatório do escritório Machado Meyer ou em outras apurações que venham a indicar responsabilidade.
Segundo a instituição, o objetivo é buscar reparação pelos danos causados por transações consideradas irregulares, entre elas a compra de carteiras de crédito avaliadas como ‘podres’ ou inexistentes. Na 13ª Vara Cível de Brasília tramita uma ação movida pelo BRB contra o Banco Master que inclui, além da própria instituição, nomes de ex-executivos e uma série de fundos como Réus. O movimento jurídico já vinha sendo precedido por medidas de bloqueio determinadas por autoridades competentes e por investigações internas e externas.
A audiência também deixou claro que algumas frentes de apuração estão com órgãos policiais e administrativos: a investigação sobre a negociação de seis imóveis avaliados em R$ 146,5 milhões — que teriam sido usados no pagamento de supostas propinas ao ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa — está sob responsabilidade da Polícia Federal. O banco enfatizou que pedidos de bloqueio de bens ou medidas coercitivas são promovidos pelas autoridades responsáveis, não pelo BRB.
A decisão de levar o caso ao Judiciário acende um alerta sobre governança e preço reputacional para uma instituição controlada pelo poder público. Além dos custos diretos de litígios, o episódio amplia o escrutínio sobre controles internos, contratações e processos decisórios no BRB. A expectativa agora é por desdobramentos nas esferas cível e criminal, que podem resultar em ressarcimentos, sanções administrativas e impacto político para gestores e usuários da instituição.