O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, confirmou em audiência pública no Senado que o banco estatal precisa provisionar R$ 8,8 bilhões para fazer frente a “possíveis perdas” relativas a títulos comprados do Banco Master. A auditoria interna apontou que, do conjunto de R$ 30 bilhões adquiridos, ao menos R$ 8,8 bilhões são considerados frágeis; R$ 2,6 bilhões, em específico, não teriam lastro — isto é, não há garantia real de ressarcimento. Souza classificou o provisionamento como medida necessária para preservar a capacidade operacional da instituição.

Para cobrir o rombo e tranquilizar correntistas e mercados, o Governo do Distrito Federal, controlador com 53,7% das ações, montou um pacote que inclui um projeto de lei para permitir empréstimo de R$ 6,6 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A operação foi homologada pelo STF no fim de maio. Além disso, o plano prevê securitização de créditos do GDF: na primeira etapa, o BRB já recebeu R$ 1,17 bilhão em 25 de maio, e a direção espera arrecadar pelo menos mais R$ 3 bilhões em estruturação com o BTG Pactual. Segundo Souza, com esses recursos faltarão apenas R$ 2,2 bilhões para completar o provisionamento.

O caso tem implicações além do balanço do banco. O BRB administra cerca de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais vinculados a decisões de tribunais de Alagoas, Bahia, Maranhão, Paraíba e do próprio Distrito Federal, e concentra cerca de 64% dos financiamentos imobiliários do DF, com carteira próxima a R$ 15 bilhões. Por isso, a eventual liquidação ou intervenção administrativa do BRB — hipótese que o presidente não descartou como risco sistêmico — teria efeito direto sobre serviços financeiros locais e sobre as finanças do GDF.

Politicamente, o episódio complica a narrativa do governo local sobre responsabilidade fiscal e gestão, cria pressão sobre a Câmara Legislativa do DF para aprovar a autorização do empréstimo e aumenta o escrutínio sobre controles internos do banco. A solução proposta depende de votação na casa local; sem ela, a margem para intervenções do Banco Central ou medidas extraordinárias torna‑se mais plausível. Souza, contudo, defende que o banco já está mais saudável do que quando assumiu e afirma que o BRB segue cumprindo obrigações e operando regularmente.