A 13ª rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta terça-feira, aponta que 43% dos entrevistados que reconhecem a existência de uma disputa polarizada declaram estar cansados ou desconfortáveis com esse ambiente — alta frente aos 36% registrados em 10 de agosto. O dado aparece em um momento em que 71% dos entrevistados já percebem que a polarização está influenciando a corrida presidencial, ante 65% na rodada anterior.
O levantamento detalha ainda o sentimento dos eleitores: entre os que reconhecem a polarização, 15% dizem estar confortáveis (eram 17% em agosto), 13% se declaram indiferentes (12% antes) e 9% não souberam responder. A soma evidencia que, mesmo com parcela que aceita ou ignora o fenômeno, o incômodo com o clima político ganhou espaço no eleitorado nas últimas semanas.
O desconforto não está restrito aos polos tradicionais. Entre os apoiadores de Lula (PT) no cenário estimulado, 34% registram cansaço; entre os de Flávio Bolsonaro (PL), o índice sobe para 42%. A percepção de desgaste é ainda mais intensa entre eleitores de candidatos fora do topo da disputa: 67% dos que declaram voto em Renan Santos (Missão) e 66% entre os que citam Augusto Cury (Avante) dizem estar cansados do embate polarizado.
A pesquisa também cruzou o sentimento em relação ao ambiente político com intenção de voto: no grupo que se declara cansado ou desconfortável, Flávio Bolsonaro aparece com 35% das intenções, contra 32% de Lula; Augusto Cury registra 14%, Renan Santos 7% e Ronaldo Caiado 5%. Trata-se de um retrato momentâneo, que mostra vantagem estreita para o candidato ligado ao bolsonarismo nesse segmento, mas não configura prognóstico definitivo.
Do ponto de vista político, o resultado acende alerta para ambos os polos: há fatia expressiva de eleitores — inclusive entre os classificados como “Anti-Lula e Anti-Bolsonaro” (54%) — que rejeita o desenho polarizado. Essa insatisfação amplia o espaço para narrativas de renovação e pressiona campanhas e alianças a ajustarem mensagens. Em campanha, traduz-se em risco de desgaste para incumbentes e opositores que não conseguirem oferecer saída além do conflito, e em oportunidade para candidaturas que conseguirem capitalizar a fadiga do eleitor.