A nova rodada da pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira mostra 44% dos entrevistados avaliando o governo de Luiz Inácio Lula da Silva como ruim ou péssimo, contra 37% que consideram a gestão ótima ou boa. A oscilação frente à rodada anterior — que indicava 46% de avaliação negativa e 36% de positiva — está dentro da margem de erro de dois pontos, mas o quadro mantém sinais políticos relevantes: há estabilidade estatística acompanhada de forte diferença por região, gênero e escolaridade.
O levantamento acende alerta para a base governista ao expor a concentração de apoio no Nordeste e entre eleitores com menor escolaridade, onde a aprovação chega a mais de 50%. Ao mesmo tempo, a desaprovação atinge patamares elevados no Sul (62%) e entre segmentos como evangélicos e trabalhadores formais. Esse desalinhamento regional e socioeconômico complica a agenda política do Planalto, reforçando a necessidade de medidas concretas que revertam a percepção negativa em áreas-chave para a disputa de 2026.
No item sobre desempenho pessoal de Lula, o empate técnico persiste: 47% aprovam e 49% desaprovam o trabalho do presidente — variações também dentro da margem de erro. A pesquisa revela lealdade considerável entre quem aprova: 86% dizem votar em Lula no primeiro turno. Por outro lado, entre os que desaprovam, 72% declaram preferência por Flávio Bolsonaro, o que indica que a erosão do apoio presidencial tende a beneficiar a alternativa à direita, com efeitos diretos sobre a dinâmica eleitoral e sobre a pressão por ajustes na estratégia governista.
O levantamento entrevistou 2.003 eleitores com 16 anos ou mais, por telefone, entre 11 e 13 de setembro, e tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa está registrada no TSE sob o protocolo BR-04076/2026. Para o governo, os números configuram um retrato do momento: não há colapso, mas há sinais claros de desgaste que podem exigir respostas políticas — ajustes de comunicação, foco em entregas regionais e movimento para recuperar fatias eleitorais em que a desaprovação é mais alta.