A pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta terça-feira indica que 46% dos eleitores avaliam o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ruim ou péssimo — o mesmo patamar registrado na medição anterior, de 31 de agosto. Os que consideram o governo ótimo ou bom somam 36% (ante 37% na semana passada), e 18% avaliam como regular. O levantamento ouviu 2.002 eleitores por telefone entre 4 e 7 de agosto; margem de erro de 2 pontos percentuais. Registro no TSE: BR-06790/2026.
O estudo traça um recorte sociodemográfico claro: a avaliação é melhor entre mulheres, pessoas com 60 anos ou mais, eleitores com ensino fundamental, quem ganha até um salário mínimo, desempregados e eleitores do Nordeste. Por outro lado, a rejeição lidera entre homens, na faixa de 25 a 40 anos, entre quem tem ensino superior, renda acima de cinco salários mínimos e moradores do Sul. Essa distribuição expõe um núcleo de desgaste concentrado em segmentos urbanos e de maior escolaridade — um problema para a capacidade de expansão da base governista.
Na aprovação do desempenho pessoal do presidente, 50% desaprovam contra 45% que aprovam (4% não souberam ou não responderam). Entre os que aprovam o desempenho, 82% declaram voto em Lula no primeiro turno, enquanto 5% citam Augusto Cury (Avante) e 4% Flávio Bolsonaro (PL). Entre os que desaprovam, 64% dizem votar em Flávio, 12% em Cury e 8% em Renan Santos (Missão). Esses números mostram correlações fortes entre avaliação do governo e intenção de voto, ampliando a polarização do eleitorado.
Do ponto de vista político, a estagnação da rejeição em níveis elevados e a ligeira queda na aprovação pessoal indicam que a agenda do governo não tem conseguido recuperar terreno nas pesquisas semanais — sinal que acende alerta para a gestão e para aliados. O quadro complica a narrativa governista de recuperação rápida e reforça a necessidade de ajustes estratégicos, sobretudo para reverter perdas entre eleitores com maior escolaridade e renda. Ainda assim, é preciso ver o levantamento como um retrato do momento: margem de erro e volatilidade das preferências eleitorais recomendam cautela antes de tirar conclusões definitivas para 2026.