A aprovação ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva chegou a 48% em junho, segundo pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (29/6), igualando a taxa de desaprovação, também em 48%. É o maior patamar de aprovação desde março e confirma a melhora observada desde abril, mas o empate técnico com a reprovação transforma o indicador em um termômetro perigoso: sinaliza recuperação limitada e acende alerta para a estratégia política do Planalto.
O levantamento detalha ainda o perfil do apoio: mulheres aprovam o governo em 55%, moradores do Nordeste em 58% e beneficiários do Bolsa Família em 63% —percentuais acima da média nacional e que explicam parte da resistência ao desgaste. Ao mesmo tempo, a avaliação da economia aparece dividida: 42% consideram a situação melhor do que no governo anterior e 42% a veem pior. Apesar disso, 47% acreditam que sua situação financeira pessoal vai melhorar nos próximos seis meses, dado que pode sustentar expectativas favoráveis no eleitorado.
A pesquisa também mede o impacto das investigações sobre o Banco Master e os áudios divulgados: 87% dos entrevistados afirmaram ter acompanhado as matérias relacionadas à nona fase da operação Compliance Zero. A atribuição de responsabilidades reflete polarização: entre eleitores de Lula, 25% veem participação tanto de grupos ligados ao presidente quanto a Flávio Bolsonaro; já entre apoiadores de Flávio, 56% responsabilizam prioritariamente o grupo ligado ao presidente. Esse enquadramento mostra como o episódio é interpretado conforme preferência política, com risco de contaminação da disputa eleitoral.
No cenário eleitoral direto, Lula aparece com 47% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 44% —ambos dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, o que configura empate técnico. Simulações de segundo turno do levantamento indicam vitória de Lula sobre Romeu Zema (48% a 38%), Ronaldo Caiado (47% a 39%) e Renan Santos (48% a 36%). A proximidade nas intenções frente a Flávio reduz a margem de segurança do presidente e complica a narrativa oficial de recuperação consolidada, ampliando pressão sobre alianças e comunicação do governo.
O BTG/Nexus ouviu 2.009 eleitores entre 26 e 28 de junho de 2026; a margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-08521/2026. Mais do que uma foto momentânea, o resultado funciona como um alerta político: a equivalência entre aprovação e desaprovação expõe fragilidades e exige reação do governo para transformar a melhora observada em tendência consistente, sem descuidar do efeito das investigações sobre a percepção pública.