A nova rodada do levantamento BTG/Nexus, feita entre 18 e 20 de setembro com 2.006 eleitores, mostra uma oscilação pequena, porém politicamente relevante: a avaliação negativa do governo passou de 44% para 45%, enquanto a positiva recuou de 37% para 35%. As variações estão dentro da margem de erro de dois pontos, mas o quadro reforça uma divisão acentuada do eleitorado que tende a condicionar decisões estratégicas para 2026.

O detalhamento sociodemográfico enfatiza a heterogeneidade do apoio. A avaliação favorável atinge metade dos eleitores com 60 anos ou mais e registra mais adesão entre quem estudou até o ensino fundamental e no Nordeste. Por outro lado, rejeição elevada aparece no Sul (60%), entre evangélicos (56%), homens e trabalhadores formais (55%) e entre os mais escolarizados (52%). O recorte etário mostra desalento entre jovens: 57% dos 16 a 24 anos classificam o governo como ruim ou péssimo.

Na avaliação pessoal do presidente, o indicador se mantém apertado: 50% desaprovam o desempenho de Lula e 46% o aprovam — leve piora em relação à rodada anterior. Esse desacerto entre aprovação pessoal e avaliação do governo sugere foco operacional e de comunicação: a fidelidade entre apoiadores é alta, mas há bolsonarização do eleitorado crítico. Entre os que aprovam o presidente, 85% dizem que votariam em Lula no primeiro turno; entre os que desaprovam, 68% afirmam preferência por Flávio Bolsonaro, enquanto apenas 1% desse grupo declararia voto em Lula.

A leitura política é direta. Embora a flutuação nas médias gerais seja pequena e tecnicamente dentro da margem de erro, os recortes mostram centros de resistência que podem minar amplitude eleitoral do projeto governista: força concentrada entre idosos e Nordeste versus fragilidade no Sul, entre evangélicos, jovens e setores com maior escolaridade e renda. Para a campanha e para a base aliada, esses números acendem alerta sobre a necessidade de ajustes táticos e de narrativa — sobretudo se a intenção é ampliar o universo de indecisos e converter aprovação pessoal em avaliação positiva da gestão.

O levantamento está registrado no TSE (BR-00485/2026) e foi realizado por telefone. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com confiança de 95%. Em termos práticos, o resultado não define tendência definitiva, mas mapeia zonas de força e vulnerabilidade: confirme-se a manutenção dessas diferenças em pesquisas subsequentes, o governo terá de rever prioridades e mensagens para evitar que concessões eleitorais se transformem em custo político concreto.