A 16ª rodada da pesquisa BTG/Nexus confirma o que as últimas sondagens vinham indicando: o cenário eleitoral segue marcado por forte polarização e alta rejeição aos protagonistas. Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 51% de eleitores que afirmam não votar nele de jeito nenhum; o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registra 48% de rejeição. O cruzamento das respostas deixa claro o grau de divisão: apenas 5% dizem que votariam em ambos e 7% declaram que não votariam em nenhum dos dois.
O levantamento detalha o mapa de preferências e exclusões: 44% admitem votar em Lula, mas não em Flávio; 41% fariam o caminho inverso. Há ainda 3% que dizem não conhecer um ou ambos os nomes. A metodologia da Nexus agrupa, para o potencial de voto, quem colocou o candidato como único escolhido e quem afirma que poderia votar nele mesmo avaliando outras opções — um critério que ajuda a medir alcance real, além da rejeição pura.
A pesquisa também sinaliza diferenças regionais e por perfil social. Flávio tem rejeição mais alta no Nordeste (60%), entre mulheres (56%) e entre os que não se declaram religiosos (64%). Lula reúne seus maiores índices de rejeição no Sul (60%), entre homens (55%) e entre evangélicos (58%). No conjunto, 40% dos entrevistados dizem querer Lula eleito, 35% preferem Flávio ou alguém da família e 21% optam por nenhum dos dois. Na rodada anterior, divulgada em 21 de setembro, os índices eram 50% para Flávio e 49% para Lula; as variações de um ponto estão dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais.
Do ponto de vista político, os números acendem um sinal para ambos os lados. Rejeições acima de 45% tornam mais custoso ampliar a base além do eleitorado fiel e reduzem o espaço para convergências no centro. Para candidatos e alianças, isso significa que a disputa tende a se concentrar na capacidade de converter indecisos e na mobilização do eleitorado já alinhado — uma dinâmica que eleva o valor do voto consolidado e encarece tentativas de virar adversários públicos em prazos curtos. A existência de apenas 5% que aceitariam ambos os nomes revela um quadro mais binário, com menos margem para acordos amplos.
A pesquisa entrevistou 2.000 eleitores por telefone entre 25 e 27 de setembro, com margem de erro de 2 pontos e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-07557/2026. Em resumo: o retrato é de um país dividido, com líderes de grande exposição e altos índices de rejeição, o que deverá influenciar estratégias de campanha, alianças e prioridade de mensagens nos próximos meses.