A pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda (25/05) reforça sinais de melhora no quadro eleitoral favorável ao presidente Lula e, ao mesmo tempo, amplia pressões políticas sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL). No cenário de primeiro turno estimulado, Lula subiu de 33% para 36% no levantamento de intenção espontânea e aparece com 40% no principal cenário estimulado (oscilação dentro da margem de erro). Flávio se manteve com cerca de 26% na espontânea e registrou 35% no cenário estimulado. Entre nomes fora do bloco majoritário, Ronaldo Caiado aparece com 5% e Romeu Zema com 4%.
O destaque da rodada, porém, é o segundo turno: Lula teria 47% contra 43% de Flávio, diferença de quatro pontos — a maior vantagem do presidente na série histórica dessa pesquisa. Ao mesmo tempo, a rejeição ao senador do PL subiu para 50% (era 48% em levantamentos anteriores), enquanto a rejeição a Lula recua a 47%. Esses dados colocam um teto mais nítido para Flávio e sugerem que episódios recentes que envolveram o senador têm custo real sobre seu potencial de ampliação do eleitorado.
O levantamento também mostra potencial de voto — que mede quem poderia considerar votar nos candidatos — com Lula em 50% e Flávio recuando para 46%. A equipe da Nexus avaliou que, embora o noticiário tenha sido capaz de movimentar a disputa, não necessariamente inviabiliza a candidatura do PL, mas pode ser decisivo em um pleito apertado. É preciso lembrar que a pesquisa foi feita por telefone com 2.045 eleitores entre 22 e 24 de maio, margem de erro de 2 pontos para mais ou para menos e registro no TSE (BR-04193/2026), o que dá robustez metodológica às variações observadas.
Do ponto de vista político, os números acendem um alerta para a campanha de Flávio: rejeição em 50% reduz espaço de crescimento e aumenta a dependência de transferência de votos de outros espectros e de coalizões regionais. Para o núcleo governista, a melhora relativa de Lula — com queda da rejeição e ampliação da vantagem no 2º turno — oferece fôlego para a narrativa de competitividade, mas não elimina riscos, dado o empate técnico em alguns cenários e a estreiteza das diferenças dentro da margem de erro. Em suma, o levantamento complica a estratégia do PL e força avaliação sobre táticas de reação e gestão de imagem, enquanto dá ao presidente sinal de recuperação que precisa ser consolidado até 2026.
Em termos práticos, os dados devem acelerar decisões sobre alianças, discurso e foco de campanha nos próximos meses. A diferença de rejeição entre os dois principais nomes — pela primeira vez favorável a Lula — transforma rejeição em variável central para o resultado final: quem conseguir reduzir o próprio índice terá vantagem em disputa apertada. A leitura das oscilações por parte de partidos e operadores políticos será determinante para ajustar palanques regionais e agendas de exposição ao eleitorado nas próximas rodadas de pesquisa.