A três semanas do primeiro turno e com o segundo turno projetado para 25 de outubro, a nova pesquisa BTG/Nexus confirma a alta intensidade da polarização entre lulismo e bolsonarismo. No confronto direto, o presidente Lula aparece com 47% das intenções de voto contra 46% do senador Flávio Bolsonaro — uma reação do petista que reverte a sequência de oscilações recentes, mas mantém o cenário extremamente apertado. A sondagem entrevistou 2.003 pessoas por telefone entre 11 e 13 de setembro, com 95% de confiança e margem de erro de 2 pontos, e está registrada no TSE sob o número BR-04076/2026.

No cenário estimulado de primeiro turno, Lula cresceu 3 pontos, para 42%, enquanto Flávio avançou 2 pontos, para 37%, ampliando levemente a vantagem do presidente de quatro para cinco pontos na simulação direta. Outros nomes seguem em patamares marginais: Augusto Cury tem 6% e Ronaldo Caiado 5%; Renan Santos, Zema e Samara Martins variam entre 1% e 2%. Brancos, nulos e indecisos somam percentuais pequenos, reforçando a probabilidade de segundo turno. Esses números confirmam que a disputa seguirá definida pela mobilização dos eleitores fiéis e pela capacidade de cada campanha atrair os voláteis do centro e dos indecisos.

Além das intenções de voto, o levantamento mostra uma melhora na avaliação do governo: aprovação sobe de 45% para 47%, enquanto a desaprovação recua de 50% para 49%. O potencial de voto também indica leve avanço do eleitorado favorável a Lula (de 47% para 50%), ao passo que o de Flávio passa de 47% para 48%. Ao mesmo tempo, índices de rejeição permanecem elevados — 48% para Lula e 50% para Flávio —, um freio importante para qualquer virada decisiva antes do segundo turno. O quadro, portanto, é de reação governista com limites claros impostos pela rejeição e pela agenda de segurança e custo de vida apontada pelos eleitores.

A pesquisa ajuda a desenhar consequências práticas: para a campanha de Flávio Bolsonaro, a estagnação na frente de rejeição e a necessidade de ampliar o eleitorado além da base são sinais de alerta; pressiona a estratégia de buscar atrair moderados sem perder mobilização do núcleo duro. Para Lula, a recuperação nas intenções e na avaliação governamental oferece folga tática, mas a percepção de piora em segurança (45%) e em poder de compra (43%) mostra que o avanço eleitoral depende de traduzir melhora de percepção em resultados concretos antes do segundo turno. Em suma, o levantamento BTG/Nexus acentua a incerteza eleitoral: houve reação do governo, mas a polarização e os problemas estruturais do país mantêm a disputa aberta e suscetível a novas oscilações nas próximas semanas.