O líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), voltou a pedir a abertura de uma CPI sobre o chamado caso Banco Master depois que a Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Compliance Zero. Para o deputado, as diligências desta quinta-feira reforçam a percepção de que não se trata de eventos isolados e justificam fiscalização parlamentar imediata.
Cabo Gilberto relacionou as apurações que alcançaram pessoas ligadas ao Banco Master e o senador Jaques Wagner (PT-BA) a um padrão mais amplo de relações entre agentes políticos e interesses financeiros. Na leitura do parlamentar, quando a investigação envolve operadores, banqueiros e chega a líderes do governo no Senado, o episódio deixa de ser pontual e passa a ter dimensão sistêmica — o que, na sua avaliação, amplia o desgaste político do PT e do Executivo.
A nota da defesa de Augusto Lima, identificado como dono do Banco Pleno, classificou as diligências como desnecessárias e afirmou a legalidade dos atos. O líder oposicionista respondeu que cabe à investigação e ao Judiciário avaliar elementos e eventual responsabilização, e não à defesa do investigado. Por isso, insistiu que o Congresso não deve aguardar o fim das investigações antes de exercer suas prerrogativas de fiscalização.
Do ponto de vista político, o pedido de CPI sinaliza aumento da pressão sobre o governo e testa a disposição dos aliados em manter blindagem. Se levado adiante, o processo parlamentar pode transformar diligências da PF em episódio de custo político real para a base, impondo respostas públicas e cobrando articulação no Congresso.