O líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto (PL-PB), reforçou que a bancada seguirá pressionando pela anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e, ao mesmo tempo, atuará nas negociações sobre o fim da escala 6x1. A estratégia é dupla: propor uma PEC para dar margem constitucional à medida e sustentar, em paralelo, um projeto de lei apresentado pelo colega Zé Trovão, com tramitação potencialmente mais simples.

Ao apresentar a tática, o deputado deixou claro que pretende atuar em várias frentes. "A gente vai em todas as frentes de batalha", afirmou. A defesa por uma anistia geral e irrestrita — referência à anistia promulgada em 1979 — e a crítica ao Inquérito das Fake News, classificado por ele como "uma farsa", colocam a bancada em choque direto com investigações em curso. Mesmo reconhecendo que a dosimetria traz um "alívio", Cabo Gilberto reiterou que o objetivo é a anistia plena, sinal que mantém tensão com órgãos judiciais e policiais.

A gente vai em todas as frentes de batalha

No caso da jornada 6x1, o líder do PL afirma não apoiar automaticamente a proposta do governo, mas admite avanços nas conversas com o relator. As negociações giram em torno de um período de transição de seis a 10 anos, com a oposição buscando garantias para não prejudicar trabalhadores nem o setor produtivo. "Eu não posso votar algo que seja contra o trabalhador ou contra o povo brasileiro porque veio de Lula", disse, adotando um discurso pragmático que abre espaço para acordos táticos mesmo em ano eleitoral.

A combinação de confrontação em torno da anistia e disposição para negociar pautas populares revela um cálculo político: manter a coesão da base, explorar temas com apelo social e, ao mesmo tempo, deslocar para o Congresso a responsabilidade por decisões sensíveis. Para o governo, o cenário complica a narrativa oficial — medidas com impacto popular podem avançar sem conferir ao Planalto o mérito exclusivo — e transforma o debate em teste de capacidade de articulação para ambos os lados, com olhos voltados para 2026.