A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou nesta terça-feira, por unanimidade, requerimento da senadora Damares Alves para que a CPI do Crime Organizado compartilhe informações sigilosas relacionadas ao chamado caso Master com um grupo de trabalho do colegiado. A decisão saiu no mesmo dia em que a CPI procedia à leitura e à deliberação de seu relatório final.

No pedido, a parlamentar solicitou o envio de documentos, relatórios, registros de oitivas e dados obtidos por quebras de sigilo, além de outros elementos probatórios reunidos ao longo das investigações. O foco declarado é o detalhamento de operações financeiras estruturadas, fluxos atípicos de capitais e possíveis conexões entre agentes econômicos — informações que, segundo Damares, compõem um acervo técnico relevante para a atuação da CAE.

A transferência desse material suscita efeitos práticos e políticos. Por um lado, evita duplicidade de esforços e fortalece a capacidade técnica do Senado para analisar práticas financeiras complexas. Por outro, amplia a exposição institucional: o relatório final da CPI indica indiciamentos de autoridades, incluindo ministros do STF e o procurador-geral da República, e o acesso da CAE a dados sensíveis pode intensificar a pressão sobre essas instâncias, além de levantar questões sobre a proteção de informações sigilosas e os limites da atuação parlamentar.

A CPI do Crime Organizado, presidida por Fabiano Contarato e com relatoria de Alessandro Vieira, funcionou por quatro meses e teve pedido de prorrogação negado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Com a tramitação encerrada na CPI, cabe agora ao grupo de trabalho da CAE examinar o material recebido e avaliar encaminhamentos técnicos ou legislativos — um movimento que, pela unanimidade da votação, sinaliza concordância entre parlamentares em explorar as conclusões da investigação.