O cantor Caetano Veloso convocou um ato musical em defesa da democracia para domingo (18/10), às 16h, no Posto 5 de Copacabana. Organizada pelos coletivos 342 Artes e Mídia Ninja, a mobilização afirma defender a liberdade de expressão artística e o direito de reunião pacífica. A orla onde ocorrerá o evento já abrigou um ato de apoiadores do presidente na segunda-feira (12) e, na manhã do domingo, está prevista uma manifestação estudantil na região da Candelária que seguirá até Copacabana.

No mesmo dia, em São Paulo, o senador Flávio Bolsonaro convocou o chamado 'bloquinho do 22' para as 11h na Avenida Paulista, com adesão pública do governador Tarcísio de Freitas. As iniciativas simultâneas vêm na reta final da disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que voltam a disputar a Presidência em 25 de outubro. No primeiro turno, o material-base registra 47,03% para Flávio e 45,16% para Lula, consolidando uma disputa apertada e de alta mobilização nas ruas.

A coincidência de agendas em duas capitais evidencia estratégias diferentes de ocupação do espaço público: de um lado, um ato com recorte cultural e apelo à defesa institucional; de outro, uma convocação festiva e partidária buscando mostrar força nas ruas. Para as campanhas, as mobilizações têm função prática — energizar bases, produzir imagens para a mídia e tentar influenciar eleitores indecisos — e simbólica, ao disputar a narrativa sobre quem representa maior apoio popular.

Na avaliação política, a intensificação das ações de rua acende alerta para a reta final: além de testar logística e coordenação local, as iniciativas podem alterar a percepção pública e o noticiário nos próximos dias. O resultado prático dependerá da capacidade de converter presença em voto e de evitar episódios que desgastem a imagem de ambos os lados; a atenção agora se volta para o comparecimento, a repercussão e o impacto dessas mobilizações sobre eleitores de última hora.