Em entrevista em Belo Horizonte, o ex-governador de Goiás e candidato do PSD, Ronaldo Caiado, acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de evitar confrontos públicos. Para Caiado, a ausência de ambos em debates indica que têm "muito a esconder e pouco a mostrar" — uma frase que busca colocar no centro da campanha a ideia de transparência e preparo para governar.
O candidato reiterou que, em um eventual segundo turno, venceria Lula e afirmou que pesquisas apontam sua competitividade frente ao petista. Trata-se de uma tentativa explícita de se posicionar como principal alternativa de direita ao presidente e de forçar um realinhamento das atenções eleitorais. A oposição e o próprio eleitorado aguardam, porém, dados concretos para avaliar essa alegação de competitividade.
Se uma pessoa não tem coragem de ir a um debate, é porque ela tem muito a esconder e pouco a mostrar
Caiado também mirou Flávio Bolsonaro, questionando sua capacidade de liderança independente e associando a candidatura do senador à dependência do ex-presidente Jair Bolsonaro. O recado tem efeito duplo: ao mesmo tempo em que busca desgastar um rival no campo de direita, tenta consolidar apoio de eleitores que priorizam experiência administrativa e segurança institucional.
Na área de segurança pública, o governador defendeu a expansão do modelo adotado em Goiás para o governo federal, colocando o combate ao narcotráfico como eixo central. Caiado apresentou os resultados do seu estado como exemplo replicável, mas sem detalhar medidas concretas de adaptação federal. No agronegócio, retomou sua trajetória na defesa do direito à propriedade rural, citou a criação da UDR e manifestou preocupação com a concorrência de produtos importados, especialmente em setores como a produção de leite.
No plano eleitoral, Caiado disse não ver obstáculos para crescer em Minas, mesmo com o apoio de Romeu Zema a outro presidenciável, e citou o senador Carlos Viana entre aliados. A ofensiva do candidato acende alerta para a polarização da direita: ao desafiar Lula pelo centro-direita e ao tensionar o espaço de Flávio, Caiado busca capital político com discurso de competência e segurança. Resta saber se as candidaturas majoritárias responderão ao desafio dos debates ou optarão por táticas que preservem suas agendas eleitorais.