O pré-candidato do PSD ao Palácio do Planalto, Ronaldo Caiado, afirmou nesta quinta-feira (4/6) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva evitou participar da Marcha para Jesus em São Paulo por temer uma reação negativa do público. Questionando a justificativa oficial de que a ausência visava evitar interpretações de uso político da manifestação religiosa, Caiado disse que “se viesse aqui hoje, seria duramente vaiado”, interpretando a ausência como sinal de incompatibilidade entre o chefe do Executivo e parte do eleitorado evangélico.

A Marcha para Jesus, que costuma atrair lideranças de diferentes espectros, reuniu no feriado representantes como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o advogado‑geral da União, Jorge Messias. Para Caiado, a presença desses nomes contrasta com a falta de presença do presidente e reforça a ideia de desgaste de Lula em segmentos religiosos. A leitura do ex-governador de Goiás aponta para um problema político mais amplo: a dificuldade do governo em dialogar com um setor influente nas próximas eleições.

Se viesse aqui hoje, seria duramente vaiado

Além de relacionar a ausência à rejeição, Caiado criticou o que chama de uso da máquina pública com fins eleitorais, acusação recorrente da oposição. Ele argumenta que medidas do Executivo estariam orientadas para ganho político e que isso teria custo econômico para o país — uma crítica com implicações claras para a narrativa do governo sobre responsabilidade fiscal e gestão. No campo oposicionista, Caiado defendeu esforços para construir uma candidatura unificada, citando conversas com Romeu Zema e ressaltando que dúvidas sobre pré-candidatos precisam ser resolvidas antes do aumento da disputa.

O episódio tem efeito político duplo: para o Planalto, a leitura pública de evasão do evento religioso alimenta sinais de desgaste e dificuldade de penetração em setores tradicionais; para a centro‑direita, abre uma janela de oportunidade, mas também expõe a necessidade de conciliação de vetos e pendências internas. Em ano pré-eleitoral, sinais simbólicos como a ausência de um presidente em manifestações relevantes ganham peso estratégico e ajudam a moldar o debate sobre alianças, mensagens e custo político das próximas decisões.