Em áudio divulgado pela sua assessoria, o pré-candidato do PSD Ronaldo Caiado descreveu a atual turbulência no Supremo Tribunal Federal como uma “cortina de fumaça” que, segundo ele, tem beneficiado adversários na corrida presidencial de 2026 — citando especificamente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Caiado afirmou ainda que ambos estariam “contaminados pela mesma corrupção” e que a crise judicial acabaria deslocando o foco dos debates eleitorais sobre prioridades do país.

O presidenciável elogiou a atuação do presidente do STF, Edson Fachin, na medida que retirou Alexandre de Moraes do inquérito das fake news, e fez crítica dura à decisão de reintegrar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, classificada por ele como “aberração”. Caiado relembrou o processo que passou pela Segunda Turma — com decisão inicial favorável ao afastamento aprovada por 3 a 0 — e disse que alterações posteriores nas decisões contribuíram para a sensação de instabilidade institucional. A sessão da Segunda Turma chegou a ser interrompida por pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, segundo relatos públicos.

Além do diagnóstico, Caiado apresentou receita política: prometeu, em caso de eleição, nomear quatro mulheres para o STF, indicando Raquel Dodge como a primeira escolha. A proposta tem duplo efeito simbólico e prático: busca capital político entre eleitores que valorizam renovação e diversidade, ao mesmo tempo em que sinaliza a intenção de remodelar a composição da Corte. Para além do apelo eleitoral, a promessa pode acender alerta sobre a politização das nomeações e ampliar desgaste entre Executivo, Legislativo e Judiciário caso seja interpretada como tentativa de interferência estratégica em um momento de alta tensão institucional.

O episódio joga o debate sobre o papel do Supremo de volta para o centro da campanha e complica a narrativa de quem tenta dissociar a disputa eleitoral das controvérsias judiciais. Para Caiado, explorar o tema judicial é forma de ampliar a ofensiva contra adversários; para o país, a escalada de discursos e intervenções públicas nas articulações do STF eleva incertezas sobre estabilidade institucional e sobre o ambiente político até 2026, pressionando partidos e o Congresso a reagirem.