Durante o debate presidencial promovido pela Band na noite de 23 de agosto, o candidato do PSD, Ronaldo Caiado, pintou um quadro duro da segurança pública no país. Segundo ele, o avanço de organizações criminosas levou a uma situação comparável a um "clima de guerra", com áreas significativas do território sob influência de facções — afirmação que atribuiu à suposta omissão ou conivência do governo federal.

Caiado disse que a perda de segurança tornou inviável a governabilidade e defendeu medidas imediatas caso seja eleito: estruturar e treinar batalhões, integrar forças de segurança e empregar inteligência tecnológica, incluindo recursos de inteligência artificial. Também anunciou que dará mais autonomia a governadores para legislar sobre segurança em seus estados, numa proposta de descentralização do enfrentamento ao crime.

No debate, o candidato criticou a proposta de emenda constitucional que tramita sobre segurança pública, argumentando que uma medida provisória poderia já acelerar ações — posição que reforça sua aposta em medidas emergenciais em vez de mudanças constitucionais demoradas. Ao responsabilizar diretamente o governo federal, Caiado aposta em transformar a agenda de segurança em tema central da campanha.

A retórica vigorosa do candidato tende a acrescentar pressão política sobre o Executivo e ampliar o debate público sobre quem detém a responsabilidade pelo controle da violência. Mais do que promessa de governo, as declarações reforçam a estratégia de campanha: capitalizar o desgaste do atual quadro de segurança e apresentar respostas rápidas e visíveis ao eleitorado preocupado com ordem e amid a percepção de perda de controle territorial.