Durante sabatina no Jornal Nacional, nesta terça-feira (25), o candidato Ronaldo Caiado evitou avaliar diretamente os relatos de ex-comandantes das Forças Armadas sobre reuniões e pressões que teriam discutido medidas de exceção após as eleições de 2022. Questionado sobre depoimentos que apontam para uma tentativa de ruptura institucional — incluindo referências ao chamado plano "Punhal Verde e Amarelo" — o candidato preferiu deslocar o foco para a necessidade de pacificar o país e tratar prioridades como segurança, saúde e educação.

Ao retomar argumentos históricos, Caiado lembrou episódios do período de Juscelino Kubitschek e usou o passado como pretexto para defender uma solução de reconciliação. Na linha dessa estratégia, reiterou que pretende encaminhar ao Congresso proposta de anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, transferindo à Casa Legislativa a decisão final sobre um tema com forte carga institucional e judicial.

A postura de esquiva diante das perguntas sobre as denúncias de militares expõe um dilema político: ao pregar pacificação, Caiado mistura conciliação com amnistia a atores acusados de atos contra a ordem democrática. A opção por não condenar ou aprofundar a discussão sobre os depoimentos pode agradar parcela do eleitorado cansada da polarização, mas também correr o risco de gerar desconforto entre eleitores e instituições preocupados com a defesa do sistema democrático.

Na sabatina, o candidato pautou-se sobretudo por temas econômicos e de segurança — chegando a enfatizar a atuação de facções e a crise em serviços públicos — e reiterou que qualquer proposta será remetida ao Congresso, em respeito às prerrogativas institucionais. A argumentação busca transformar um debate sobre responsabilidades e risco institucional em uma agenda gerencial, com apelo ao discurso de governabilidade.

Do ponto de vista político, a insistência em colocar a solução nas mãos do Legislativo e em priorizar a "pacificação" serve para tentar neutralizar a narrativa de confronto institucional. Mas trata-se de caminho delicado: defender anistia para participantes de atos antidemocráticos e não fazer uma avaliação clara dos relatos militares pode virar ponto de tensão nas negociações com centristas, com o Judiciário e com setores que exigem apuração completa dos fatos.