Ronaldo Caiado (PSD) chegou à sede da TV Bandeirantes para o debate organizado pelo grupo no domingo e adotou tom crítico diante das ausências anunciadas de alguns concorrentes. Sem apontar explicações, classificou como omissão a decisão de não participar do encontro — e aproveitou a ocasião para cobrar espaço que falta na propaganda eleitoral na TV.

Os dois primeiros colocados nas pesquisas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), não devem comparecer. Romeu Zema (Novo), igualmente convidado, desistiu de participar. Caiado afirmou que queria debater juros altos e segurança pública, temas que, segundo ele, ficaram impedidos de ser confrontados pela ausência dos rivais.

No plano político, a falta de comparecimento dos nomes mais fortes funciona como sinal de estratégia de risco: evita exposição imediata, mas expõe os ausentes a críticas sobre compromisso com o eleitor. O vice na chapa de Caiado, Gilberto Kassab, avaliou a decisão como desrespeito ao público e reforçou que a presença do candidato do PSD tenta ocupar o espaço deixado pela omissão dos adversários.

A cena da Band mostra dois efeitos simultâneos: reforça a narrativa de alternativa construída por candidatos fora do pelotão da frente e, ao mesmo tempo, alimenta a leitura de que líderes consolidados preferem controlar riscos. Para além do episódio pontual, a escolha de evitar debates pode ter custo político se for narrada como afastamento do eleitorado e perda de oportunidade para apresentar propostas concretas.