No 11º Fórum CNT de Debates — Edição Presidenciáveis, o candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, criticou duramente a discussão pública sobre o fim da escala de trabalho 6x1, descrevendo-a como movimento eleitoreiro destinado a angariar votos às vésperas da eleição. O presidenciável acusou o governo de transferir ao Congresso a responsabilidade política e fiscal pela medida, e evitou assumir uma posição definitiva sobre o tema, afirmando que decidiria apenas se chegasse ao Planalto.
Ao longo do discurso, Caiado trabalhou a narrativa do cansaço do eleitor com a polarização política e apresentou sua chapa — com Gilberto Kassab como vice — como alternativa ao embate entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro. Para o ex-governador, a concentração do debate no duelo entre os polos tem empurrado para segundo plano temas de agenda econômica e infraestrutura, como transporte, desenvolvimento e competitividade, que, segundo ele, merecem prioridade.
Na área econômica, Caiado qualificou como populistas medidas que, em sua avaliação, elevam a dívida pública e pressionam a taxa de juros. Acusou ainda o Palácio do Planalto de recorrer com frequência a instrumentos extraordinários — créditos suplementares e medidas provisórias — para responder a demandas políticas, em vez de utilizá‑los estritamente em emergências, e disse que incidentes diplomáticos recentes têm sido usados como cortina de fumaça para desviar a atenção dos problemas internos.
Politicamente, a fala de Caiado busca capturar eleitores desgastados pela polarização e reafirmar um perfil liberal-conservador com ênfase em responsabilidade fiscal. Ao mesmo tempo, a estratégia traz riscos: a recusa em definir um posicionamento claro sobre a escala 6x1 pode ser explorada por adversários como sinal de ambiguidade, e o foco na crítica ao governo tende a amplificar o debate sobre a sustentabilidade fiscal das medidas públicas, pressionando tanto o Executivo quanto o Congresso.