No evento promovido pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), em Brasília, o pré-candidato do PSD Ronaldo Caiado fez dura leitura política do pedido de Flávio Bolsonaro para adiar o chamado tarifaço até depois das eleições. Caiado rejeitou a iniciativa, considerando-a um equívoco político que expõe contradições na sinalização do senador sobre compromisso com disciplina fiscal e transparência nas contas públicas. A fala foi feita diante de empresários e líderes do setor de serviços, setor interessado em previsibilidade de preços e custos.

Além da crítica técnica ao adiamento, Caiado transformou o episódio em arma política: disse que votar em Flávio pode, na prática, facilitar a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, caso o senador não consiga consolidar uma alternativa competitiva ao petista no segundo turno. O gesto é uma tentativa de responsabilizar o pré-candidato do PL por um risco eleitoral que, na visão do dirigente do PSD, decorre tanto de sinais ambíguos de sua candidatura quanto da incapacidade de construir um polo oposicionista coeso. A referência ao passado político serve para sublinhar, no discurso de Caiado, a possibilidade de repetir erros que já beneficiaram adversários em eleições anteriores.

O episódio tem consequências políticas claras: expõe fissuras na oposição e amplia o debate sobre coerência programática e credibilidade fiscal entre pré-candidatos que disputam o mesmo eleitorado. Para setores conservadores e empresariais, o pedido de adiamento soa como concessão ao calendário eleitoral — e não apenas como ajuste técnico —, o que pode corroer apoio em uma base que exige postura firme em relação às contas públicas. Politicamente, a mensagem de Caiado amplia a pressão sobre Flávio e seu entorno: exige explicações, obriga o PL a gerir a narrativa e abre espaço para rivais explorarem dúvidas sobre a capacidade do senador de liderar uma alternativa sólida ao governo atual.