O pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) criticou, nesta quarta-feira (22/7), a decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas durante encontro com representantes de diplomacias estrangeiras. Em publicação nas redes sociais, Caiado lamentou que uma plateia de embaixadores tenha sido palco para dúvidas sobre o sistema de votação quando poderia ter sido aproveitada para discutir temas econômicos e comerciais.
O episódio remeteu diretamente ao pedido feito por Flávio na terça-feira (21/7) para que os países enviem “a maior quantidade de observadores possíveis” ao próximo pleito de outubro. Na mesma reunião, ele associou o tema das urnas à empresa venezuelana Smartmatic. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) respondeu rapidamente, reiterando comunicado de 2022 de que a Smartmatic não fornece urnas nem softwares utilizados nas eleições brasileiras.
O encontro, realizado em Brasília e organizado pela agência Novo Selo Comunicação e pelo site The Brazilian Report, contou com representantes de ao menos 42 missões diplomáticas, incluindo Estados Unidos, China, Israel, Alemanha e Reino Unido, além de blocos como União Europeia e Liga dos Estados Árabes. Durante a reunião, Flávio também afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro estaria preso por ter manifestado preocupações sobre a transparência do sistema eleitoral — um episódio que, em 2023, resultou na condenação de Jair à inelegibilidade pelo TSE em ação relacionada ao encontro com diplomatas de 2022.
Além da contestação técnica do TSE, a troca de farpas aponta para um custo político: para Caiado e outros opositores que tentam pautar economia e responsabilidade fiscal, o foco em relatos de fragilidade do sistema eleitoral pode dispersar interlocução com embaixadas e investidores. A repercussão mostra que a narrativa sobre a segurança das urnas continua a polarizar o debate público e a forçar reações institucionais em pleno calendário eleitoral.