No encontro com presidenciáveis promovido pela Unecs em Brasília, Ronaldo Caiado (PSD) transformou em bandeira a crítica à atual política de juros. Para o candidato, o custo do crédito torna o ambiente mais favorável ao rentista do que ao empresário, um diagnóstico que, segundo ele, exige resposta macroeconômica e não ações pontuais por setor.
Caiado descreveu o quadro dos pequenos negócios como marcado por elevado endividamento e disse que medidas fragmentadas pouco adiantam enquanto a taxa real permanecer incompatível com investimento produtivo. A crítica direta ao nível de juros envia um recado à equipe econômica e pode reforçar tensão entre discurso pró-mercado e apelo por medidas de alivio ao setor produtivo.
Ao tratar das apostas esportivas, o candidato associou a atividade à ludopatia e anunciou intenção de conter a publicidade das plataformas, além de usar órgãos como Coaf e Receita para monitorar a origem dos recursos. A posição mistura recorte regulatório e preocupação social, buscando responder a um viés conservador na agenda pública sem, porém, detalhar instrumentos legais.
Caiado aproveitou a fala para garantir que o Bolsa Família será mantido como política de Estado e defendeu complementá-lo com formação profissional para promover mobilidade social. Negou também divergências na equipe de comunicação após a troca do publicitário da campanha. No plano político, o discurso tenta conciliar promessa de proteção social com crítica econômica, mas deixa em aberto a articulação prática entre cortes de juros e medidas de apoio.