Em discurso na XXVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, o governador de Goiás e pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), buscou combinar legitimidade eleitoral e proposta institucional. Ao afirmar que respeita o resultado das urnas, ele tentou projetar uma imagem de candidato institucionalizado após ser sabatinado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM).

Caiado colocou no centro da sua fala a promessa de um “novo pacto federativo”: mais autonomia e recursos para estados e municípios, segundo ele, como resposta à concentração de decisões em Brasília. O governador afirmou ter avançado em leis em Goiás com objetivo semelhante e defendeu que a capilaridade do país exige soluções descentralizadas.

A aposta na aproximação com prefeitos e governadores, sustentou o pré-candidato, é também uma estratégia de governabilidade. Para quem aspira ao Planalto, essa rede de apoio local funciona como base eleitoral e como canal prático de implementação de políticas públicas — mas abre um desafio político: transferir poderes ou recursos implica negociar com o Congresso e ajustar a máquina fiscal.

A realização da sabatina pela CNM, em formato mais organizado que discursos avulsos vistos em outras agendas, permitiu a Caiado mostrar disciplina política. Ainda assim, a proposta de redistribuição de competências e verbas acende um alerta: sem medidas claras sobre compensação fiscal e reformas legais, a descentralização promete bons slogans, mas exige articulação e custo político no Legislativo.

No curto prazo, a fala na Marcha reforça a tentativa do PSD de se apresentar como alternativa que mistura conservadorismo com agenda de gestão — foco em autonomia local e interlocução com prefeitos. Resta ver se a retórica sobre menos Brasília e mais Brasil encontrará apoio suficiente para se traduzir em mudanças concretas antes de 2026.