O candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, defendeu nesta quarta-feira o fim da chamada "aprovação automática" e propôs que o avanço de série passe a depender de provas de proficiência. Em sabatina promovida por O Globo, Valor Econômico e CBN, Caiado disse que "passa de ano quem tem nota" e afirmou: "Eu não vou preservar o analfabetismo funcional". A proposta visa condicionar o progresso escolar ao domínio dos conteúdos ministrados na série.

A aprovação automática existe como mecanismo para reduzir repetência e evasão — atualmente, segundo o próprio programa, funciona no ensino fundamental com objetivo de evitar que alunos abandonem a escola após sucessivas reprovações. Ao propor provas de proficiência, Caiado sinaliza rigor acadêmico, mas também abre um debate sobre a implementação: faltam no relato apresentado detalhes sobre adaptação da rede, formação de professores, prazos e medidas para mitigar riscos de abandono escolar caso aumentem reprovações.

Na mesma sabatina, o candidato deixou claro que, se eleito, priorizará políticas de corte de gastos no curto prazo e postergará uma eventual reforma da Previdência, considerada de efeito mais longo. Caiado listou números que pretende enfrentar: quase R$ 70 bilhões apenas em emendas impositivas e mais de R$ 650 bilhões em incentivos fiscais, que prometeu "reorientar" em vez de simplesmente eliminar. Também afirmou que um diagnóstico mais preciso só viria após o acesso aos dados reais do país, classificando como "irresponsável" antecipar quais benefícios seriam cortados.

Caiado estendeu a linha de argumentação para segurança e política externa: no combate ao crime organizado em comunidades, disse que não adotaria câmeras corporais para policiais, chamando o equipamento de "hipocrisia" diante do que definiu como situação de "guerra"; e criticou a postura do governo atual nas relações com os EUA. Politicamente, as declarações reforçam uma plataforma de endurecimento e ajuste fiscal que tende a atrair o eleitorado conservador, mas também expõem desafios práticos: medidas de meritocracia escolar sem plano de implementação podem gerar conflito público; adiar a reforma da Previdência reduz o espaço fiscal de médio prazo e pode transferir pressão para além do primeiro mandato, caso a promessa de reorientação de gastos não se concretize.