O pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado apresentou nesta quarta-feira posição alinhada ao mercado tecnológico: defender um marco regulatório para inteligência artificial que não tolha a inovação e que concentre penalidades em quem faz uso ilícito das ferramentas. Em reunião com lideranças da ABERT e da ANJ, ele enfatizou a função da imprensa tradicional como referência para checagem de fatos num ambiente de proliferação de desinformação.
Caiado disse discordar do projeto em debate no Congresso que, segundo sua leitura, segue um modelo europeu excessivamente restritivo e já em revisão. Para ele, a adoção de regras rígidas poderia ter efeito prático sobre a atração de investimentos, citando a possibilidade de empresas evitarem instalar data centers no país — um ponto sensível para a competitividade digital e para a geração de empregos qualificados.
Como argumento a favor de uma abordagem pró-inovação, o pré-candidato mencionou experiências estaduais: Goiás teria avançado com um marco local e abriga um centro de excelência em IA fruto de parcerias com universidades e o setor privado, com aplicações utilizadas por grandes empresas. Ao mesmo tempo, prometeu que, em eventual governo seu, os direitos autorais de jornalistas, artistas e produtores seriam preservados, sem que isso sirva de obstáculo ao desenvolvimento tecnológico.
A posição de Caiado tem duplo efeito político: sinaliza ao eleitorado conservador-liberal e ao setor empresarial uma disposição favorável ao ambiente de negócios, e ao mesmo tempo complica a narrativa oficial sobre a regulamentação federal, pressionando Congresso e Executivo a reconciliar proteção de direitos com regras compatíveis com a atração de investimentos. O debate avança para além da técnica: envolve custo econômico e risco político em ano eleitoral.