Em publicação nas redes sociais nesta sexta-feira (28/8), o candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) defendeu uma postura dura no combate às apostas on-line. Segundo ele, a saída não passa por proibir a atividade, mas por estabelecer regras mais rígidas, ampliar a fiscalização e adotar tolerância zero contra práticas irregulares, numa sinalização clara de que pretende tratar o tema com prioridade no debate público.

Caiado argumentou que uma proibição completa tenderia a empurrar o mercado para a clandestinidade, tornando mais difícil o controle de fluxos financeiros e a proteção de consumidores. Na mesma linha, criticou abordagens meramente simbólicas e usou uma analogia para dizer que o Estado não pode fingir que não vê o problema enquanto permite que atores sem regulação ocupem o espaço deixado pela omissão pública.

Em evento em Brasília, o candidato descreveu as primeiras medidas que pretende tomar: reduzir a propaganda exaustiva das plataformas, expor os danos sociais causados pelo setor e integrar instituições como o Coaf e a Receita Federal para rastrear para onde vai o dinheiro. Trata-se de um roteiro que exige, contudo, legislação clara, capacidade institucional e coordenação com o Congresso para evitar incertezas jurídicas e efeitos colaterais indesejados.

Politicamente, a proposta reforça o perfil de linha dura de Caiado e visa ganhar terreno entre eleitores preocupados com segurança e danos sociais. Mas abre também uma frente de embate com o mercado e setores de comunicação que dependem de receita de publicidade. Resta saber se a retórica se transformará em projeto detalhado e viável — e se haverá preparo técnico e político para enfrentar a complexidade do controle financeiro e das possíveis contestações judiciais.