Em sabatina na GloboNews nesta sexta-feira, 7, o candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, disse descartar a retaliação contra os Estados Unidos pela adoção do chamado tarifaço. Para o presidenciável, revidar seria um tiro no pé: além de agravar o impacto sobre o agronegócio brasileiro, poderia provocar saída ou redução de investimentos americanos no país. Em vez de medidas punitivas, Caiado defendeu uma conversa direta e de "alto nível" com o presidente dos EUA como caminho para buscar solução.
Caiado criticou o que chamou de omissão do governo no tema e atacou a possibilidade de o Itamaraty funcionar como um 'braço ideológico' do PT, argumentando pela necessidade de reunir "as boas cabeças" na diplomacia. Ele também rejeitou categoricamente incluir o Pix em qualquer barganha internacional, classificando a tecnologia como sentimento nacional e fora da mesa de negociação. A postura apresentada tenta conciliar prudência econômica com uma retórica de defesa de interesses nacionais — mas carrega risco político ao sinalizar recuo diante de medidas externas que afetam setores exportadores.
No núcleo da sua proposta de influência internacional, Caiado apontou os recursos minerais brasileiros, em especial o nióbio, como trunfo de negociação. O candidato afirmou que as reservas brasileiras são estratégicas e que seu controle confere ao país poder de barganha relevante em pautas industriais globais. Transformar um recurso estratégico em moeda de troca, porém, traz custos: interrupções na produção, sinais de insegurança jurídica e repercussões para investidores e comunidades locais seriam efeitos colaterais com impacto econômico e político real.
O tom pragmático de Caiado — firme contra retaliar, porém sugestivo sobre usar ativos estratégicos — o rapproche a uma agenda mais alinhada ao mercado e à preservação de investimentos. Ao mesmo tempo, sua posição pode acender alerta entre setores que exigem respostas mais duras às barreiras comerciais e entre eleitores nacionalistas que esperam postura assertiva. Ao destacar ainda a necessidade de discutir a sustentabilidade da Previdência, o candidato tenta ampliar o leque de mensagens econômicas; resta ver se esse equilíbrio entre prudência diplomática e uso de instrumentos estratégicos encontrará eco na campanha e entre potenciais parceiros.