Ronaldo Caiado (PSD) deve anunciar nesta terça-feira, em ato em Goiânia, apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no 2º turno. O evento, que reúne também o governador Daniel Vilela (MDB), terá coletiva de imprensa prevista pela equipe do bolsonarista. A iniciativa é um gesto público de peso de um cacife regional na fase final de costura de apoios.
A movimentação tem alcance simbólico e prático. Caiado obteve 2,18% no 1º turno; dados do Tribunal Superior Eleitoral apontam Flávio com 47% (56,1 milhões) e Lula com 45,16%. Em hipótese de transferência direta — sempre incerta e incompleta — os votos de Caiado poderiam acrescentar algo na ordem de 2 milhões ao bolsonarista, relevante em um confronto acirrado.
Partidos do Centrão, como União Brasil e Progressistas, caminham para declarar apoio a Flávio, mas o PSD anunciou neutralidade formal e liberou sua base. Isso faz com que o gesto pessoal de Caiado teste até que ponto lideranças regionais conseguem agregar eleitores sem o aval institucional de Gilberto Kassab. O movimento acende alerta para a campanha de Lula, que terá de intensificar interlocução com lideranças locais.
Para Flávio, o anúncio reforça a estratégia de consolidar um bloco de centro‑direita até o 2º turno, com vista à votação de 25 de outubro. Para a campanha de Lula, representa pressão adicional e exige reação rápida. No fundo, o impacto dependerá da efetiva transferência de votos e da capacidade de transformar gestos individuais em apoios institucionais nos próximos dias.