Ronaldo Caiado, candidato do PSD à Presidência, afirmou no evento do Comunitas em São Paulo, em 24/8, que pretende ter os governadores Eduardo Leite (RS) e Ratinho Júnior (PR) ao seu lado em um eventual governo federal. O pronunciamento reforça uma narrativa centrada na competência administrativa: segundo Caiado, a presença dos dois não decorre de barganha política, mas de aval às suas trajetórias de gestão.
Ao destacar a experiência de Leite diante de secas e enchentes no Rio Grande do Sul, e ao citar Ratinho Júnior como exemplo de administração estadual, o presidenciável busca transformar acertos regionais em capital político nacional. A estratégia aponta para um PSD que tenta se vender como alternativa de gestão, contrapondo-se ao discurso puramente ideológico e valorizando currículos executivos.
Politicamente, a declaração tem efeito duplo. Por um lado, pode ampliar a sustentação de campanha ao agregar dois nomes com visibilidade e estrutura estadual; por outro, reduz margem de manobra na costura de alianças, ao sinalizar preferência por rostos já ligados ao PSD. Também levanta a questão prática sobre conciliação de funções: governadores convidados para o centro do governo federal tendem a enfrentar cobranças sobre o equilíbrio entre compromissos estaduais e responsabilidades nacionais.
No contexto da disputa de 2026, a aposta de Caiado revela uma tentativa de transformar resultados de gestão local em argumento eleitoral. Resta observar se o reforço na imagem administrativa será suficiente para ampliar palanques regionais sem gerar desgaste entre possíveis futuros aliados ou críticas sobre prioridade a arranjos internos em detrimento de negociações mais amplas.