O governador de Goiás e pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), afirmou em entrevista ao programa CB.Poder que a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva em 2022 só ocorreu em razão de erros da gestão de Jair Bolsonaro. A declaração foi usada por Caiado para relativizar o resultado eleitoral e posicionar sua pré-candidatura como alternativa ao atual governo petista.
Na mesma entrevista, o governador direcionou críticas fiscais: disse que a relação dívida/PIB da União estava em 72% quando Bolsonaro deixou o Palácio do Planalto e que hoje se aproxima de 80%. Caiado mencionou um montante de R$ 870 bilhões como parte dos gastos que, em sua avaliação, justificariam questionamentos sobre a destinação desses recursos.
Para Caiado, uma gestão eficiente de Bolsonaro teria mudado o resultado das urnas em 2022.
Caiado também foi questionado sobre quem nomearia para o Ministério da Fazenda. O pré-candidato evitou indicar nomes e afirmou que as mudanças que pretende promover são claras e resultado de sensibilidade administrativa, sem 'grandes descobertas'. A estratégia reforça uma postura cautelosa diante da exposição política nacional.
O governador citou ainda números da gestão em Goiás para justificar seu discurso de competência fiscal: disse ter recebido o estado com R$ 11 milhões em caixa, R$ 6,8 bilhões em dívidas imediatas e R$ 17 bilhões em dívidas consolidadas, e entregar a administração com R$ 9,8 bilhões em caixa. O exemplo estadual foi apresentado como demonstração prática de capacidade para promover reformas.
O tom da entrevista combina crítica ao desempenho do passado com ênfase em credenciais fiscais do próprio candidato. Politicamente, a linha de Caiado busca capitalizar a dissidência em relação ao bolsonarismo e ao lulismo, ao mesmo tempo em que evita compromissos antecipados que poderiam atrair avaliações mais duras sobre propostas econômicas concretas.
Ele questionou onde teriam sido aplicados os R$ 870 bilhões que, segundo sua fala, elevaram a dívida próxima de 80% do PIB.