Ronaldo Caiado (PSD) confirmou nesta semana que avalia a possibilidade de uma chapa única com Romeu Zema (Novo). A sinalização ocorre enquanto ambos os pré-candidatos patinam abaixo dos 5% nas sondagens, numa tentativa evidente de se colocarem como alternativa ao núcleo bolsonarista encabeçado por Flávio Bolsonaro. Até agora, ninguém cravou quem cederia a cabeça ou a vice da chapa, o que deixa o esboço de aliança em nível ainda exploratório.

O movimento ganha força depois do desgaste eleitoral de Flávio, evidenciado pela queda nas intenções de voto medida pela pesquisa AtlasIntel/Bloomberg de 19 de maio. A reportagem associou a redução ao impacto da divulgação de diálogos em que o senador negocia aportes relacionados à produção do filme que trata da história do ex-presidente. Para aliados de Caiado e Zema, a junção pode ser uma resposta tática a esse recuo, mas há ceticismo sobre a capacidade real de transformar dois eleitores dispersos em força competitiva de curto prazo.

Há custos políticos internos: Zema tem feito críticas públicas a Flávio, postura que irrita alas do Novo dependentes do palanque bolsonarista para eleitores e recursos — caso, segundo relatos, do deputado Marcel Van Hattem. No PSD, também há cautela sobre abrir mão de protagonismo e sobre a governabilidade de uma eventual composição. Além disso, a definição de alianças depende do calendário eleitoral: o prazo para consolidação de candidaturas vai até 15 de agosto, e ambos admitem que decisões importantes podem se arrastar até a data-limite.

Do ponto de vista eleitoral, a aliança tem dois efeitos claros: pode reduzir a fragmentação do campo de direita e buscar capitalizar a perda de apoio de Flávio; por outro lado, enfrenta problemas estruturais — base de apoio frágil, ausência de musculatura nacional consolidada e disputas internas sobre vice e palanques locais. Em curto prazo, a iniciativa sinaliza adaptação e algum pragmatismo, mas não garante que a soma de dois nomes de baixa intenção de voto reverta o quadro eleitoral sem reposicionamento estratégico, recursos e unidade partidária.