O pré-candidato ao Planalto pelo PSD, Ronaldo Caiado, afirmou neste sábado, durante o Encontro Regional Pra Frente Goiás em Trindade (GO), que pretende encaminhar ao Congresso uma proposta para classificar facções criminosas como organizações terroristas caso vença a eleição de 2026. A proposta foi apresentada como parte de um pacote de medidas de segurança que o governador informou querer implementar nos primeiros 100 dias de governo.

Segundo Caiado, a requalificação jurídica das facções teria dupla finalidade: ampliar instrumentos legais no combate ao crime organizado e reforçar a confiança de investidores no país. A ligação entre segurança e atração de recursos — repetida pelo pré-candidato — coloca o tema como eixo de campanha voltado tanto a eleitores preocupados com ordem pública quanto ao mercado, que busca previsibilidade institucional.

Tecnicamente, a mudança exige alteração legislativa e terá de tramitar no Congresso Nacional. Além disso, uma redefinição dessa natureza tende a abrir debates complexos sobre critérios legais, limites operacionais das forças de segurança e potenciais impactos a direitos civis. Especialistas e parlamentares ainda teriam de definir se a proposta recorta apenas liderança e financiamento de facções ou se amplia instrumentos punitivos para redes criminosas inteiras.

No mesmo evento, Caiado também defendeu redução das taxas de juros como mecanismo para estimular investimentos e criticou a condução das relações comerciais do governo federal, responsabilizando a atual gestão pela perda de espaço em mercados externos diante de barreiras tarifárias recentes. As declarações sinalizam uma agenda econômica com ênfase em disciplina pró-mercado e retomada do crescimento como complemento da retórica de segurança.

Politicamente, a iniciativa reforça o posicionamento de Caiado como candidato de linha dura em segurança, com apelo a empresários e eleitores conservadores. Ao mesmo tempo, a proposta lança um desafio prático: aprová-la no Legislativo dependerá de construção de maioria e de resposta a questões jurídicas sensíveis. Para 2026, a medida marca um tom de campanha que pode mobilizar apoio, mas também suscitar controvérsias e debate público sobre eficácia e riscos de ampliar o conceito de terrorismo no ordenamento brasileiro.