Ronaldo Caiado, pré-candidato do PSD ao Planalto, escalou o ex-ministro Roberto Brant para coordenar a elaboração do seu plano de governo. A decisão privilegia um nome com longa trajetória pública — que passou pela Assembleia Nacional Constituinte, por mandatos consecutivos na Câmara e por cargos no governo de Fernando Henrique Cardoso — e que, nos últimos anos, tem se posicionado como crítico da polarização política no país.
Brant tem defendido, em artigos e entrevistas, a necessidade de superar o embate entre os polos políticos e de enfrentar o que chama de mau funcionamento da cúpula dos Poderes. Essa leitura servirá de referência para a construção das propostas de Caiado: a ideia é transformar um diagnóstico institucional em um roteiro programático capaz de atrair eleitores que rejeitam a polarização entre Lula e Bolsonaro. A aposta é política e comunicacional — dar substância técnica a um discurso de moderação.
A nomeação também revela limites e prioridades da campanha: enquanto formaliza Brant, Caiado mantém o publicitário Paulo Vasconcellos como marqueteiro e adia uma definição única para a área econômica, mantendo interlocuções com vários nomes. O fato de Brant ter deixado o PSD em 2012 após divergências internas é lembrado nos bastidores e indica que alianças pessoais e credenciais técnicas pesam mais que fidelidade partidária na montagem da equipe.
Politicamente, a movimentação tenta disputar espaço no centro e reduzir o apelo da polarização, mas acende alerta sobre dois pontos: a dificuldade de traduzir diagnóstico institucional em reformas concretas e a necessidade de apresentar respostas econômicas claras. Se não houver rapidez em transformar a expertise de Brant em propostas palpáveis, a operação corre o risco de ficar no campo retórico — e de não convencer eleitores febris pela oferta programática. Nos próximos passos, a campanha terá de mostrar como o diagnóstico vira ação, sob pena de perder fôlego diante de narrativas já consolidadas no debate nacional.