Em entrevista ao programa CB.Poder nesta quarta-feira (8/4), o governador de Goiás e pré-candidato à Presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado, fez um ataque direto à condução do Executivo federal. Para ele, a gestão atual tem perdido o foco em políticas estruturantes e adotado medidas de curto prazo que não resolvem problemas crônicos.
Caiado vinculou as crises recorrentes no abastecimento de combustíveis à falta de uma política de continuidade no setor. Citou a exploração da bacia do pré‑sal e a ausência de capacidade de refino como prova de que o país poderia produzir mais internamente, mas ficou restrito por escolhas de gestão que, segundo ele, deixaram de priorizar tecnologia, inovação e independência energética.
O governo hoje age sem cabeça, discutindo polarização enquanto negligencia educação, saúde, segurança e políticas estruturantes.
O pré-candidato também atacou a agenda econômica do governo. Segundo sua avaliação, o Executivo elevou o endividamento em cerca de R$ 870 bilhões, levando a relação dívida/PIB de 72% para 80% em pouco tempo. Para Caiado, essa expansão do gasto público sem ajuste fiscal representa um modelo repetido de administração populista, com custos explícitos para a credibilidade das contas.
Na ótica do governador, políticas de mitigação, como programas de renegociação de dívidas e liberação de FGTS, funcionam apenas como paliativos diante de uma primeira causa: juros altos. Ele citou taxas nominais elevadas e alertou que linhas de crédito subsidiadas perdem eficácia quando o cidadão enfrenta juros de mercado muito superiores nas demais operações financeiras.
Do ponto de vista político, a crítica de Caiado serve a dois propósitos: marcar território como alternativa à polarização e pressionar o governo por uma agenda de responsabilidade fiscal e reformas. A firmeza do discurso ressalta que a oposição pretende explorar desgaste econômico e sinais de descontinuidade em setores estratégicos na corrida para 2026.
Elevou a dívida em cerca de R$ 870 bilhões e prefere acionar a 'maquininha' do gasto em vez de buscar equilíbrio fiscal.
A contundência do governador — e sua oferta de uma narrativa de gestão técnica e fiscalmente responsável — amplia o debate sobre prioridades públicas. Resta saber se esse diagnóstico terá impacto nas urnas ou obrigará o governo a ajustar a retórica e medidas antes da próxima eleição.