Em entrevista ao programa CB.Poder, o governador de Goiás e pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), pediu o fim da discussão sobre eventual anistia aos envolvidos nos episódios de 8 de janeiro. Segundo Caiado, o tema — e a defesa pública de perdão — emperra o esforço por uma agenda de desenvolvimento e mantém o país em desgaste contínuo.

Caiado justificou a proposta com um paralelo histórico: citou Juscelino Kubitschek como exemplo de chefe de Estado que optou por deixar para trás conflitos e seguir governando. Para o governador, o debate atual é marcado por "revanchismo" e transforma o ambiente político num "enxuga gelo", sem avanços em áreas sensíveis como energia, combustível e inteligência artificial.

Se não acenasse com perdão, a polarização teria se intensificado.

Além de focar na questão da anistia, o pré-candidato atacou o que chama de 'patrulhamento' entre adversários: reclamou que frentes opositoras debatem publicamente, mas depois não dialogam entre si. A crítica veio acompanhada de termos fortes contra esse comportamento, que, na visão dele, dificulta acordos e o funcionamento cotidiano das instituições.

A fala de Caiado tem efeito político claro: tenta posicioná-lo como operador da conciliação e como alguém que quer priorizar economia e governança. Ao mesmo tempo, a sugestão de encerrar o tema da responsabilização por 8 de janeiro pode gerar reação de setores da sociedade e de parte do eleitorado que exigem apuração e punição, ampliando a tensão interna na própria base conservadora.

Na defesa de seu perfil democrático, Caiado reiterou que já venceu e perdeu eleições sem contestá-las, colocando-se como postulante pragmático. Resta saber se a estratégia de deslocar o foco para a agenda de desenvolvimento terá ganho político suficiente para reduzir a polarização sem criar custo reputacional entre aliados e eleitores exigentes.

Esse patrulhamento é de uma burrice ímpar.