Ronaldo Caiado aproveitou a Marcha dos Prefeitos em Brasília para consolidar um discurso centrado na exigência de transparência e em experiência administrativa como pré-requisitos para quem ambiciona o Planalto. O pré-candidato do PSD afirmou que a vida pública dos postulantes deve ser clara e que pessoas envolvidas em escândalos não têm condições de ocupar o cargo de presidente. A fala, proferida diante de gestores municipais, busca reforçar uma narrativa de rigor ético e competência administrativa em contraposição ao atual governo.
Sem mencionar nomes adversários de forma direta, Caiado citou o caso do empresário ligado ao Banco Master e afirmou que as recentes controvérsias tiveram efeito contaminante sobre instituições públicas. No mesmo tom, atribuiu críticas ao pacote de medidas econômicas anunciado pelo Executivo, com destaque para o programa popularmente chamado de Desenrola 2.0. Questionou, em termos práticos, a usabilidade de recursos como o FGTS para mitigar problemas eleitorais e apontou que ações tomadas às vésperas de períodos políticos geram distorções e incertezas na ponta, como no comércio informal.
O discurso também se concentrou em uma linha de ataque sobre a transferência de encargos financeiros para municípios: segundo Caiado, é costume do governo jogar o custo de políticas federais para prefeitos, aprofundando tensões entre esferas de gestão. Na condição de interlocutor direto dos gestores municipais, o pré-candidato buscou transformar essa crítica em capital político, ressaltando a responsabilidade fiscal e administrativa como antídotos para práticas que, na visão dele, oneram administrações locais e fragilizam serviços ao cidadão.
As declarações ocorrem em um contexto de repercussão sobre mensagens e contatos entre políticos e o empresário investigado, incluindo denúncias recentes sobre pedidos de recursos para produções associadas a lideranças da direita. Um dos políticos citados confirmou ter visitado o empresário durante período de prisão domiciliar, informação que alimenta o debate público. Para o cenário político, a intervenção de Caiado na Marcha dos Prefeitos tende a reforçar sua imagem de crítico do governo, ao mesmo tempo em que acena a prefeitos e eleitores preocupados com responsabilidade fiscal, transparência e efeitos práticos de programas federais nas contas municipais.