Ronaldo Caiado, candidato do PSD à Presidência, apresenta como carro-chefe do seu programa um projeto que ele descreve como “transformador”: combinar pacificação democrática, responsabilidade fiscal, segurança reforçada e aumento do investimento para elevar a produtividade. Médico, produtor rural e ex-governador de Goiás até março de 2026, Caiado aposta em uma agenda de segurança rígida e num modelo de desenvolvimento com maior participação do investimento público.
No eixo de segurança, o plano reúne medidas duras e institucionalmente sensíveis. Entre elas estão a criação de um Ministério da Segurança Pública, a proposição para enquadrar organizações criminosas e milícias como terroristas domésticos, a instituição de um Regime Especial Disciplinar Antiterrorismo Doméstico (Redad) e a possibilidade de emprego das Forças Armadas contra o crime organizado sem a exigência de decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). A ideia de articular um Conselho Estratégico com governadores e órgãos de segurança tende a ampliar coordenação, mas também acende alerta sobre limites constitucionais e o risco de militarização de políticas internas.
Nas penas e justiça criminal, o programa defende reduzir a maioridade penal para 16 anos em casos de crimes graves, endurecer sanções para adultos — inclusive equiparando o furto de celulares ao crime de roubo — e adotar medidas para confisco de bens em casos de enriquecimento ilícito. Há ainda proposta para progressão de pena mais restrita em feminicídios. Essas iniciativas têm apelo punitivista, mas colocam em debate a eficácia de soluções penais em problemas estruturais como pobreza, déficit de políticas sociais e funcionamento do sistema prisional.
No campo econômico, Caiado propõe elevar o investimento total para algo em torno de 25% do PIB — acima dos cerca de 17% atuais — com participação relevante do investimento público. A proposta vem acompanhada de promessas de restauração da trajetória fiscal sustentável. Esse equilíbrio será difícil: aumentar investimento estatal reafirma a prioridade por crescimento, mas exige espaço fiscal, disciplina orçamentária e articulação legislativa para evitar pressões sobre dívida, impostos ou corte em outras despesas. Politicamente, a ambição reformista dependerá de capacidade de costurar apoio no Congresso, uma condição que o próprio plano reconhece como decisiva.