O pré-candidato presidencial Ronaldo Caiado (PSD) afirmou, em coletiva na Marcha dos Prefeitos, que enviará ao Congresso proposta para qualificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Segundo o político, a mudança na tipificação jurídica permitiria o uso das Forças Armadas no combate ao PCC e ao Comando Vermelho e facilitaria a retomada de territórios sob influência desses grupos.

O discurso de Caiado incorpora um aceno externo: o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou interesse em ampliar essa classificação para facções latino-americanas. Em sentido contrário, interlocutores do Itamaraty e o próprio governo do presidente Lula têm rechaçado a medida, argumentando que um entendimento de que o Brasil abriga organizações terroristas poderia prejudicar a relação bilateral com Washington.

Politicamente, a proposição acende alerta sobre três frentes: o uso das Forças Armadas em segurança interna, a viabilidade legislativa de redefinir crimes como terrorismo e o custo diplomático. Há ainda implicações constitucionais e operacionais: a alteração depende de aprovação no Congresso e pode esbarrar em resistências de quem teme a militarização das ações de segurança pública.

Caiado também criticou a política federal atual como anacrônica, atribuindo à União a responsabilidade pelo controle de fronteiras e pela coordenação contra tráfico e lavagem. A proposta do pré-candidato, além de marcar posições na campanha, tende a complicar o debate público sobre segurança e a tensionar a relação entre Executivo, Congresso e Forças Armadas caso avance.