Ronaldo Caiado voltou a atacar o rival Flávio Bolsonaro nesta segunda-feira, em meio à repercussão sobre alegações que associaram o senador a uma proposta para retirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. O candidato do PSD afirmou que a tentativa de se explicar pelo lado do PL tem ampliado a controvérsia e, ao mesmo tempo, acusou o adversário de criticar a CNBB em vez de desarmar a disputa.

A sequência de mensagens públicas de Caiado reforça um recado político claro: a instrumentalização de símbolos religiosos pode custar apoio em setores sensíveis do eleitorado. O episódio começou com publicações nas redes e um comentário no programa Em Pauta, que passaram a vincular Flávio a uma matéria antiga — na verdade, o projeto citado foi apresentado por Victorio Galli em 2007 e arquivado em 2008 — e a emissora chegou a corrigir e pedir desculpas por trechos que geraram confusão.

Flávio negou ter defendido qualquer mudança no status de Nossa Senhora Aparecida, mas a controvérsia já ganhou corpo nas redes e nas declarações de adversários. Caiado usou sua própria prática religiosa — participou de missa em Goiânia e se apresentou como católico devoto — para pedir que a disputa não se transforme em conflito de fé, reclamando respeito às diferentes crenças e clamando por contenção nas hostilidades da campanha.

Do ponto de vista político, o episódio complica a narrativa do PL ao deslocar a agenda da campanha para uma polêmica de alto apelo simbólico. Para Caiado, a movimentação do rival e a reação das redes aumentam o desgaste e forçam explicações que desviam foco de propostas. Resta ver se a disputa seguirá priorizando temas econômicos e administrativos ou se a religião continuará sendo terreno de disputa e desgaste entre os candidatos.