Ronaldo Caiado transformou em instrumento de campanha uma reação pública do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao memorando firmado entre o governo de Goiás e o Departamento de Estado dos Estados Unidos sobre minerais críticos. Em agenda em Minas Gerais, na quinta-feira (23/4), o pré-candidato respondeu às críticas presidenciais e acusou o Palácio do Planalto de 'entregar' o país, ao criticar a iniciativa estadual.

O governador-virou-candidato defendeu o memorando como um esforço para evitar que Goiás venda apenas matéria-prima. Segundo Caiado, o objetivo é desenvolver tecnologia local para separar e processar elementos como térbio e disprósio, elevando o valor agregado da produção e aumentando renda e emprego no estado. O documento com os EUA é, conforme divulgado, um memorando de entendimento não vinculante, que prevê respeito à legislação brasileira e não estabelece obrigações financeiras entre as partes.

A reação do governo federal — manifestada por membros da gestão Lula que apontaram riscos à soberania e à coordenação da política mineral — colocou em evidência uma disputa sobre competências entre União e estados. Presidência e aliados argumentam que acordos nesse setor devem ser coordenados pela esfera federal; a movimentação de Goiás, porém, expõe uma tentativa de estados ocuparem espaço no debate sobre cadeia produtiva estratégica.

Politicamente, o episódio oferece munição para a oposição: Caiado converte a polêmica em narrativa de que o governo não fomentou indústria e tecnologia, enquanto o Planalto tem de conciliar preocupações institucionais com a necessidade de atração de investimentos. O caráter não vinculante do memorando não reduz seu significado simbólico: a disputa já complica a narrativa oficial e sinaliza que a coordenação sobre recursos estratégicos será tema sensível na próxima campanha eleitoral.