Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira mostra o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) na liderança das intenções de voto para presidente entre eleitores de Goiás: 33% em cenário estimulado, ante 27% de Flávio Bolsonaro (PL) e 23% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Considerando a margem de erro de três pontos percentuais, Caiado e Flávio aparecem em empate técnico no limite da margem; Flávio e Lula também ficam tecnicamente empatados. O levantamento funciona como um retrato do momento na dimensão estadual, não como previsão nacional, mas oferece sinais políticos relevantes.

Além do resultado do primeiro turno, o levantamento projeta cenários de segundo turno com comportamento distinto: Caiado venceria Lula por 67% a 23%, ao passo que Flávio figura à frente de Lula por 47% a 35%. Outros postulantes obtiveram pontuações marginais — Augusto Cury, Renan Santos, Romeu Zema e Samara Martins aparecem com 1% cada — e 9% dos entrevistados se declararam indecisos, enquanto 4% disseram que votariam em branco, anulariam ou não compareceriam.

A vantagem de Caiado tem lastro na avaliação de seu mandato no estado: 87% dos entrevistados aprovam a gestão estadual, contra 7% de desaprovação e 6% que não souberam ou não responderam. Esse alto índice de aprovação explica, em grande medida, a transferência de popularidade para a corrida presidencial no âmbito local. Ainda assim, a existência de empate técnico com Flávio e a margem de erro reduzem a robustez da leitura e impõem cautela sobre extrapolações para além de Goiás.

Metodologicamente, a pesquisa foi registrada no TSE (protocolos GO-01701/2026 e BR-08063/2026) e ouviu 1.104 eleitores em 54 municípios goianos, por meio de entrevistas presenciais realizadas entre 24 e 28 de julho de 2026. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro, para mais ou para menos, é de três pontos percentuais. Esses números consolidam o caráter regional do levantamento e explicam por que o resultado vale mais como diagnóstico local do que como termômetro definitivo da corrida presidencial.

Do ponto de vista político, a pesquisa acende um alerta para o governo e para o PT ao expor fragilidade relativa de Lula no Centro-Oeste — área tradicionalmente competitiva e com eleitores sensíveis ao desempenho de gestores locais. Para a oposição, o desempenho de Caiado reforça a hipótese de que líderes com forte inserção regional podem alterar a dinâmica de candidaturas e coligações. Ao mesmo tempo, o empate técnico com Flávio evidencia que a disputa no estado permanece competitiva: os números obrigam ajustes de estratégia, direcionamento de recursos e atenção redobrada a alianças e mensagens, sobretudo se o objetivo for transformar a presença regional em viabilidade nacional.